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  • Associação Comercial de Campinas

Empreender ou reformular o modelo do negócio são apostas para driblar a crise

O número de novos negócios no Brasil cresceu 32,7% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado; Sebrae listou os setores que mais se destacaram


Nos longos períodos de confinamento e com o fechamento dos setores do comércio considerados não essenciais, a digitalização dos negócios tomou impulso e o on-line passou a ser protagonista na jornada de compra do consumidor. O estudo EY Future Consumer Index, da consultoria EY Parthenon, divulgado em setembro do ano passado pela Veja Insights, mapeou os principais impactos da pandemia sobre o comportamento e os sentimentos do consumidor e revelou, por exemplo, que 62% dos brasileiros, passaram a frequentar menos as lojas físicas e 32% aumentaram as compras on-line de alimentos.


O levantamento apontou que 97% dos entrevistados se mostraram preocupados com a economia do Brasil e, 96%, com a saúde de seus familiares. Outros 71% afirmaram priorizar a higiene pessoal e a da casa e 59% aumentaram o cuidado com a casa. Sessenta e nove por cento dos brasileiros passaram a cozinhar mais em casa e 54% passaram a comprar somente o essencial.


Esse tsunami de transformações comportamentais geradas na crise refletiu diretamente no fechamento de muitas empresas — 1,044 milhão, conforme o Ministério da Economia — não resistiram e fecharam as portas, em 2020. Quase 14 milhões de pessoas ficaram desempregadas. Muitas delas partiram para “carreira solo” e resolveram empreender. Foram abertas 3.359.750 empresas no ano passado.

Como se vê, empreender na crise não é conto da carochinha. Somente no primeiro semestre de 2021, foram contabilizados 2,5 milhões de novos negócios, de acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), um aumento de 32,76% em comparação ao mesmo período de 2020.


A cada quatro pessoas, uma está empreendendo (24,76% dos brasileiros), revela um levantamento do Sebrae. Os números, no entanto, reforçam uma tendência que já vinha desde antes da pandemia, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). De acordo com ela, em cinco anos, a taxa de empreendedores formalizados teve um boom de aproximadamente 27%.

Em tempos “bicudos”, não dá para permanecer feito a Gabriela do Dorival Caymmi: “eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”. É preciso mudar, inovar e agir rapidamente. Aqueles que assimilaram as mudanças que afetaram os diferentes modelos de negócios, avaliaram os riscos e buscaram aporte financeiro, conseguiram viabilizar oportunidades para empreender na crise.


Quem não abriu uma empresa no último ano, se adaptou para atender às novas demandas de consumo, realizou a sua transformação digital, ressignificou os seus processos, buscou novos meios de relacionamento com o cliente e agregou produtos e serviços para entregar mais valor a ele. Um levantamento da FGV aponta que, na pandemia, 49% dos empreendedores buscaram novos negócios e 84% deles transformaram o próprio negócio.

Ranking para inspirar

O Sebrae identificou as 10 atividades econômicas que mais registraram aberturas de empresas este ano:


  1. Comércio varejista de vestuário e acessórios (56 mil). As perspectivas são otimistas para este setor, com a liberação dos eventos, a reabertura dos bares e restaurantes e, também, devido ao chamado fenômeno ``revenge shopping” (compra de vingança), além, claro, do e-commerce, cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Para este ano, o comércio eletrônico no Brasil deve crescer 26% e faturar R$ 110 bilhões, mostra um levantamento da Ebit|Nielsen.

  2. Promoção de vendas (46 mil). Um levantamento do aplicativo PiniOn aponta que 57% dos usuários comprariam outra marca se o concorrente oferecesse um brinde atrativo. Então, não é coincidência que o setor especializado em criar um conjunto de estratégias focadas em impulsionar o volume de vendas de produtos ou serviços, fidelizar os consumidores e aumentar a visibilidade da marca apareça, justamente, em segundo lugar no ranking. O fato reforça que nunca foi tão importante desenvolver estratégias bem fundamentadas para estreitar as conexões com os consumidores, prospectar novos clientes e sobressair diante da concorrência.

  3. Cabeleireiro, manicure e pedicure (36,5 mil). O Brasil figura como o quarto maior mercado do mundo em beleza e cuidados pessoais, conforme pesquisa do Euromonitor International. Talvez por esse motivo, o setor que fechou 375 mil salões de beleza desde o início da pandemia, conforme a Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), permaneceu próspero no digital. Uma pesquisa do aplicativo de contratação de serviços na América Latina, GetNinjas, registrou mais de 200 mil solicitações pela categoria Moda e Beleza, em 2020, o que representa um aumento de 54% nas buscas em comparação ao ano anterior.

  4. Alimentos preparados para consumo domiciliar (32,5 mil). O segmento, que já vinha num crescente, "estourou'' no ano passado, quando as pessoas passaram mais tempo em casa e adquiriram o hábito de pedir comida. O brasileiro gastou 149% a mais nos apps de entregas, em 2020, conforme estudo da startup Mobills e as projeções são promissoras. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) acredita que a participação do setor nas vendas da indústria de alimentos e bebidas aumentará de 24,4% para 30% este ano.

  5. Obras de alvenaria (32 mil). A maior preocupação das pessoas com a casa, onde passaram a maior parte do tempo, no ano passado, a incorporação dos preceitos sustentáveis no dia a dia, como a instalação de cisternas para armazenamento de água de chuva e de jardins verticais no ambiente interno para amenizar o calor, por exemplo, além das novas tecnologias, voltadas à melhoria da qualidade de vida, contribuíram para alçar o setor ao quinto posto da lista. Durante a pandemia, ao menos 55% dos brasileiros pertencentes à classe Ae 39% à classe C realizaram alguma obra em casa, como aponta uma pesquisa do Grupo Consumoteca. Para este ano, a previsão é de que a indústria da construção cresça 2,5%.

  6. Serviços de documentação e apoio administrativo (29,5 mil). Em uma crise, na qual há a necessidade de reduzir custos operacionais, os colaboradores estão em teletrabalho e há alterações pontuais nas medidas trabalhistas, como ocorreu a partir de março do ano passado, contar com uma assessoria que cuide da administração do negócio para que o empresário foque essencialmente na sua atividade principal é questão de sobrevivência. Entre os MEI, o número de formalizações neste setor cresceu mais de 83% no ano passado.

  7. Restaurantes (28 mil). Um estudo do Empresômetro mostra que, além dos novos empreendedores, há também aqueles que já operavam no ramo de alimentação fora de casa, mas fecharam o ponto no auge da crise e, agora, reestruturados em sua transformação digital, abriram em outro formato, o de delivery e/ou acrescentaram novas modalidades de atendimento, como o take away (quando o cliente faz o pedido e retira a encomenda no local) e o grab and go (as refeições já estão prontas e embaladas bastando apenas o cliente escolher, pagar e sair). O relatório Food Trend Report 2021, da consultoria Galunion, aponta que 20% dos negócios do setor pretendem investir em uma cozinha somente para delivery este ano.

  8. Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares (24 mil). Assim como os já citados restaurantes, estas atividades sofreram grande impacto em 2020 e, este ano, apresentam uma retomada. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) avalia que o setor de alimentação em geral (que compreende bares, restaurantes, lanchonetes, padarias, redes de fast food, serviços de catering e vending machine) cresça ao menos 10% até o final do ano.

  9. Transporte de cargas (22 mil). Ao contrário de alguns setores, este não foi tão afetado pela pandemia. O relatório Índice da Movimentação de Cargas do Brasil, realizado pela empresa de averbação eletrônica do transporte de cargas AT&M, mostra que, em 2020, foram registrados R$ 7,5 trilhões em movimentação de cargas, o equivalente a 10% a mais do registrado em 2019. Em 2021, somente no primeiro quadrimestre, a movimentação financeira do setor já alcançou R$ 3 trilhões.

  10. Comércio varejista de bebidas (21 mil). No primeiro semestre deste ano, entre os microempreendedores individuais (MEI), esta atividade foi a que apresentou maior incremento, 84% se comparado ao mesmo período de 2020. O fator pandemia impulsionou a compra de bebidas por meio de aplicativos e outros canais digitais e acabou por estimular a entrada de MEI no setor.


Evento de empreendedorismo

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Fonte: Equipe ACIC

Fonte da imagem: Canva